Por que parei de vender imóveis — e o que isso mudou no meu trabalho
Durante muito tempo, o mercado imobiliário foi guiado por uma lógica simples:
captar, anunciar, convencer, fechar.
Quanto mais rápido, melhor.
Quanto mais pressão, mais “eficiente”.
Em dezembro do ano passado, eu comecei a perceber que algo ali não fazia mais sentido pra mim.
Não foi uma crise.
Não foi uma grande virada pública.
Foi um incômodo silencioso.
Talvez o problema não fosse o mercado em si.
Talvez fosse a forma como insistimos em tratar pessoas como leads.
O limite do modelo tradicional
Quem trabalha com imóveis sabe:
metragem, valor, bairro, documentação.
Tudo isso importa — e muito.
Mas não explica o essencial.
Porque ninguém me procura apenas por um imóvel.
As pessoas chegam carregando momentos da vida.
Mudança de cidade.
Separação.
Chegada de filhos.
Busca por segurança.
Cansaço de uma rotina.
Desejo de recomeço.
Quando reduzimos isso a uma ficha de atendimento, algo se perde no caminho.
O que mudou na prática — não no discurso
Eu não “parei de vender imóveis”.
Eu parei de agir como vendedor o tempo todo.
Passei a escutar mais.
A perguntar melhor.
A respeitar o tempo de decisão.
Curiosamente, isso não tornou o processo mais lento.
Tornou mais preciso.
Menos visitas inúteis.
Menos frustração.
Mais clareza para quem compra — e para quem vende.
Quando a escuta vem antes da venda,
o atendimento fica mais leve, mais honesto e mais eficiente.
O que os clientes realmente estão buscando
Raramente alguém diz isso de forma direta,
mas está sempre ali, nas entrelinhas:
“Quero acertar.”
“Não quero me arrepender.”
“Quero segurança.”
“Quero que faça sentido pra minha família.”
O imóvel é o meio.
A decisão é sobre vida.
Entender isso muda completamente a forma de trabalhar.
O novo papel do corretor
O corretor que só vende vai ficando raso.
O corretor que escuta vira referência.
Hoje, acredito que nosso papel é traduzir desejos em escolhas seguras.
Ajudar pessoas a atravessarem decisões importantes com mais clareza e menos ruído.
Isso não é tendência.
É um movimento silencioso, mas irreversível.
O mercado imobiliário está mudando —
e quem não aprender a respeitar histórias vai ficar falando sozinho.
Porque, no fim, não é sobre imóveis.
É sobre Pontes.

